domingo, 28 de fevereiro de 2010

27 de fevereiro de 1972

Amor,

Li no jornal sobre as homenagens que recebeu no dia da inauguração da Universidade Norte do Paraná. Que bonito, que orgulho de você.
Eu estou longe de me adaptar às novas mudanças. As manhãs são sempre muito nubladas e os vôos atrasam, irremediavelmente. As viagens são prazerosas, mas desgastantes. Ontem, a senhora que prepara minhas refeições, avisou-me dos riscos de assaltos, já que esta área da cidade está cada dia mais perigosa. Viajo e quando retorno é sempre já de madrugada. As ruas vazias, frias, russas. Essa senhora, cujo nome não consigo, por força alguma, guardar na memória, é uma pessoa que me assusta, por isso que não lhe dedico atenção.
Querido, por favor, continue cuidando das nossas flores, carinho, luz, água, fotossíntese, lembra-se?! Quanta falta seu abraço me faz.
Conte-me notícias de Alice. Sei que ela não está feliz. Um pouco difícil nas dadas situações que ela tem atravessado, não acha? Envio para você também matar saudades, uma foto dela, linda, linda. Linda e triste. Achei dentro do Talmud que nem sabia ter trazido nas malas... veja como Alice parece com mamãe.




Como você gosta de dizer: “Fibre de Verre”.
Mande um beijo para Alice em especial. Tenho sonhado com ela.

Saudades,
Lane

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